
Vinte e quatro de maio de dois mil e nove.
Cá estou eu, tentando fazer uma recapitulação do estresse mais satisfatório que já presenciei. O nome dele? McFly. Pra uns, um capricho bobo, muitas vezes passageiro, imaturo. Pra mim, mais do que uma banda, uma fonte de inspiração e motivação. Desde 2005, lá pros meus 13/14 anos, alimentei uma idolatria conjugada com amor platônico. Com direito àqueles surtos de fã, histeria, tremulância e taquicardia. O tempo passou, muitas águas rolaram, conheci tanta gente importante, tantas influências, até montei uma banda (que está em pé, firme e forte & amada) por causa dos tais ingleses; criei junto de amigas um Team de divulgação cujo maior objetivo era trazer essa banda diretamente da Inglaterra para o Brasil. E vieram. 2008 foi o ano, o primeiro. Juntei todas minhas forças e consegui realizar meu tão esperado sonho, dia 10 de outubro de 2008 Vivo Rio - Rio de Janeiro. Muito tempo na fila, de um Estado estranho. Entrada liberada. Acho que aquela sensação foi inexplicável, a melhor que já tive e na verdade não há palavras pra descrever. Tão próxima deles eu fiquei, que mesmo sendo tão fraca, e mesmo tendo perdido toda água existente em meu corpo, até sendo esmagada e quase pisoteada, me mantive em pé e não me arrependo um segundo sequer. Mas não é desse dia que vou falar, embora lembranças maravilhosas e todos os detalhes ainda vivos em minha mente não faltem. O fato mesmo foi algo bem mais trabalhoso, que auto considero um mérito daquele Team que eu falei lá em cima, e claro, outras pessoas envolvidas. Nada melhor do que ter sua banda idolatrada no seu país, imagine em seu estado? Foi com muito suor, dias e noites em claro, petições, tentativa de contatos com produtor, casa de show, outras bandas de abertura, divulgação por diversos meios, que finalmente, eles também vieram pro meu amado Pernambuco. Aí sim, emoção em dobro. Acordei às 4h da manhã. Cheguei no McMóvel tão cedo na fila, e já tinha gente, umas 20 pessoas, no máximo. Levamos violões pra animar, afinal, hora não ia faltar. Depois de um tempo lá, e tentando organizar tudo pra que não houvessem injustiças (bem, não foi o que aconteceu, já que um senhor inconveniente na frente da fila estava guardando o lugar de quase 100 pessoas), parti para o Hotel Recife Palace. A loucura foi tamanha, que terminei virando hóspede do dito cujo. Tantas horas dentro e fora do hotel, esperando um sinal, uma descida, uma foto. Várias pessoas do lado de fora, na rua gritando e puxando músicas. Tudo que consegui foi um Coração feito pelas mãos do Tom na janela. Bom, já era um sinal que eles estavam ali, e que aquele show iria realmente acontecer. 16h da tarde, e nada. Resolvi voltar para o Chevrolet Hall, que estava lotado de fãs, e os seguranças não deixaram eu voltar pro lugar de início. Minha sorte foi ter filmado tudo, a hora que cheguei, o tamanho da fila, e mostrei a ele, só assim consegui convence-lo. Portões abertos, correria até a grade. Escolhi o lugar na frente do Dougie, já que no Rio eu fiquei mais pro lado do Tom/Danny. E lógico, queria muito prestigiar meu baixista mestre. Aquele lugar estava insuportável, ouvia tanto comentário sobre o Poynter, parecia que todo mundo daquele local só se importava com ele. Essa é a hora de respirar fundo, contar até dez e não ter ciúmes. Passado aquele empurra-empurra, praticamente um inferno hurmano em vida real, não resisti. Passei mal e tive que sair. Minha cabeça não estava acreditando que isso tinha acontecido, tinha me perdido de todo mundo na multidão, me senti no chão. Fui dar uma volta enquanto o show não começava e encontrei aquelas pessoas que me reconfortaram com o colo, chorei tudo que tinha pra chorar ali. Naquele instante veio tu-do em minha mente: como pude ter sido fraca, todo esforço e luta, todo meu sangue que dei praquele show ali acontecer, e eu não iria ficar mais frente a frente com eles. Desabei mesmo, cheguei a tremer incontroladamente. Mas Aquelas pessoas, que eu sou grata até hoje, me convenceram de que naquela muvuca insuportável eu não iria curtir tanto o show como naquele espaço vago lá atrás. Dito e feito. Gritaria, aquela voz canta a primeira frase, em seguida entra a bateria e todos os instrumentos. Sim, eles estavam ali, no Chevrolet Hall. Surreal era a palavra do momento. Eu ainda estava lá atrás, mas encontrei uma brechinha, do meu lado direito, exatamente do lado do Dougie. Tinha uma mãe na minha frente, ela olhou meu desespero e minhas lágrimas, e gentilmente me deixou na frente dela. Consegui um lugar estratégicamente perfeito, não era colado, mas dava pra ver nítidamente os traços do rosto dele, e de todos que chegava naquele lado. O Harry ficou no canto que eu realmente só consegui ver no final. A medida que as músicas iam sendo tocadas, cada vez eu me emocionava mais com os sucessos antigos, adoro as músicas novas, mas aquelas que eu acompanhei desde o início me acabam. O show em si, foi maravilhoso, fantástico. Na penúltima música eu saí do lugar que estava, e fui procurar ar lá atrás. Encontrei Aline e Ana, a hora mais instigante do show. Tocaram Lies, e nós parecíamos que estávamos tocando junto. Nunca pulei/girei/gritei/toquei num baixo imaginário tão forte como naquela hora. Cheguei até a ficar tonta, mas isso não foi o suficiente pra me parar. A hora que o Dougie se destaca tocando Lies me deixou tão orgulhosa, foi como ver sua evolução de pertinho. Última música então, um arranjo inovador, linda, linda e linda, aproveitei cada segundo. Terminou. Ainda fui pros fundos da casa de show, na esperança de uma foto, ou qualquer coisa do tipo. Mas não encontrei na-da. Como tinha feito a loucura de me hospedar no hotel, segui correndo pro Palace, mas os boatos que circulavam lá era de que eles tinham saído pra uma boate, clássicos dos After Shows. Como podia ser verdade ou não, fiquei acordada até madrugada, esperando qualquer sinal. Teve uma hora que não deu, não fui de ferro, até porque aquele show me quebrou. No outro dia tinha prova. Sem dormir direito, tipo uma morta-viva, cheguei na faculdade, não vi nem o que estava respondendo, entreguei a prova e saí, perdendo até as outras aulas seguintes. Cheguei voando em casa, e novamente fui alimentar alguma gota de esperança no hotel. As horas pareciam empacadas, nunca vi demorar tanto pra passar. O boato era: eles estão na praia de Porto de Galinhas (que na verdade era ali bem pertinho, Boa Viagem). Entra e sai enorme de pessoas, até a Elba Ramalho apareceu. Muita gente já estava desistindo e indo embora. Inclusive a minha carona. Sem saber o que fazer, e sem querer desistir, mesmo pensando que aquele sonho já estava ficando longe de se concretizar, um impulso mandou eu ficar, seja lá como fosse minha volta. Fiquei, e foi a escolha mais sortuda e certa que já fiz em minha vida. O Neil passa bêbado, com areia nos pés e uma latinha de cerveja na mão direita. Era um sinal de ingleses no território. E finalmente o produtor chega com a notícia: ''Eles vão descer! Nada de fotos para não demorar, nada de gritaria e nem tumulto. Não rasguem, puxem, beijem, nem mordam eles. Caneta eles já tem em mãos, só entreguem o papel. Se fizerem histeria, eu mando eles subirem na mesma hora.'' Não sei se o mal é das fãs brasileiras, mas ainda tiveram aquelas que não conseguiram se controlar. Levaram um grito e um olhar fulminante do produtor e pronto, a fila tá formada. Eis que: Danny, Tom, Dougie e Harry aparecem ali, na minha frente. Como eu disse em algum lugar: Too close for my comfort. O Dougie? Nossa, não sei como descreve-lo, mas sei que ele era real, de verdade! Tempo nós não tínhamos, e como eu não pude tirar foto, eu filmei. Acho que a maioria das exibições desse vídeo são minhas, porque minha nossa, não canso de ver até hoje. E autógrafos eu também consegui pegar. Sabe, acho que foi exatamente como eu imaginava. Perdi os sentidos, a fala, falei pouca coisa besta pra eles, que pra mim foi importante. Mas o momento mais grandioso de todos, foi a hora em que eu abracei aquele dude de anos atrás. Olhei para as mãos dele como sempre sonhei, aquelas mãos de baixista, belíssimas por sinal. O sorriso que ele me deu, o sorriso que graças ao meu vídeo, posso ver até hoje. E um sorriso sincero, tenho certeza. O olhinho dele até diminuiu. E meu abraço; consigo até senti-lo se fechar os olhos. Vejo ele e todos como grandes ídolos, mas o Dougie como se fosse uma pessoa querida, que faz parte da minha vida à anos. Que estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe... Enfim, foi um dia com tantos detalhes que nem cabem aqui, com tantas emoções que eu não consegi passar, com o esforço todo que valeu a pena. E se me perguntarem se eu faria tudo de novo, eu diria que, com toda certeza do mundo, sim.