Andei meio distante porque esses dias estão me fazendo revirar avessos internos, incansáveis reflexões. Não é fácil encarar de frente nossos privilégios, sentindo uma culpa paralisadora de ser um grão diante de tudo e não poder fazer “nada”. A impotência de não conseguir mudar a realidade, de não ser ouvida quando meu grito interno berra em desespero contra a corrente do egoísmo… O ‘não saber’ tira todo controle que um dia pensamos ter, soa assustador e só reforça que isso não nos pertence, não cabe a nós. Decidi vir para o “mato” enquanto pudesse aqui estar, dentro das minhas possibilidades privilegiadas. Porque essa conexão com a natureza faz parte do meu ser, onde me sinto renovada e revigorada. Essa Pandemia me mostra como a TERRA estava precisando de um tempo para respirar e se recuperar. Ver Capivaras voltando a habitar o Rio Capibaribe, buracos enormes na camada de ozônio desaparecendo, um cardume imenso de peixes na praia do Pina, um céu sem poluição na China e em tantos outros lugares, os canais de Veneza com águas transparentes e cheia de peixes me faz pensar o quanto o Coronavírus é nosso parasita e nós somos os parasitas da Terra. Espero que essa pausa traga, de alguma forma, um novo recomeço, uma RECONEXÃO com aquilo que temos de mais sagrado: a natureza, o amor e a vida. Aqui, enfim, eu respiro com um pouco de paz, semeando a paciência de que tudo vai passar.
