quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Noite vazia

O marcador piscava num vão branco, vazio.
Queria tirar um pouco da cabeça o que lhe apertava no coração.
Mas não conseguia. Porque estava imóvel, porque nem mesmo sabia o que sentia.
A caneca preta que trouxe do Rio, cheia de café, fazia um círculo marrom borrando sua mesa branca.
Forte e amargo. Tão amargo quanto sentia sua vida naquele momento.
Talvez o comodismo tenha deixado-a desse jeito, amarga.
De repente um vazio substancial ocupava parte de tudo.
Como pode? Um vazio ocupar um todo... Mas era essa a sensação.
E ficava se questionando: 'pra onde foram os sonhos que me nutria?'
Não mais se sentia tão viva quanto antes. Queria liberdade, e a tinha. Mas não do jeito que gostaria. Chegava até ser controverso. Porém, sua liberdade largada e solitária não preenchia seus desejos.
Sem saber a quem pedir socorro, chorou. Chorou lágrimas de desabafo numa solidão escondida. Sozinha. Queria fugir e ao mesmo tempo ficar.
Desesperada e presa naquela bolha momentânea, abriu e tomou uma garrafa de vinho para tentar anestesiar um pouco suas dores.
E entorpecida nas suas fraquezas, dormiu.