quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Pássaro que sou.

Pássaro que sou.

Me chamam de beija-flor
Pelo jeito que bate meu coração.
É que aqui dentro eu soo amor
Sou quase mesmo que explosão.
Dias que sim, dias que não
Hora sossego, hora turbilhão.
Almejo apenas num suspiro
Alguém pra alçar vôo comigo 
Sem temer esse perigo
Fazer de mim teu abrigo?
Prometo te dar meu afago
E o melhor que puder ser
Se tu comigo estiveres
Iremos juntos florescer!
Um dia então seremos capaz
Pássaro que sou e pássaro serás
De voarmos livremente 
Seguindo a curva que o vento faz.

Sete.

Sete. Se formos parar pra pensar, sete é um número especial. Ele representa a totalidade, intuição, espiritulidade. É conclusão cíclica: 7 dias na semana, 7 dias de período lunar, número de renovação. 7 são as esferas celestes, 7 cores no arco-íris, 7 pétalas de rosas, 7 graus da perfeição. 7 notas diatônicas. E 7 é o número de anos em que nossos corpos físicos(+) encontraram-se nesse planeta. Durante esses 7, muitos ciclos foram abertos e fechados. Cada vez vindo de diferentes formas. Eu fico emocionada em olhar pra 7 anos atrás, quando não tínhamos nada, apenas a sede de curtir a vida e um tanto de sonhos plantados em nossas cabeças, e perceber o quanto a gente construiu até agora! Quase tudo aconteceu de maneira atropelada e não planejada, mas tudo foi e está sendo incrível, talvez essa seja a magia. Deixamos o destino agir. Viver ao teu lado é uma aventura. Por mais que as dificuldades insistam em aparecer, a gente tem conseguido seguir com aquele mesmo amor de sempre. Eu te agradeço, Ivo, por todos esses 7 anos ao meu lado, de mãos dadas, sempre construindo. Eu te agradeço por saber que tenho teu apoio, te agradeço por acordar todo dia e sentir a melhor conchinha do mundo, porque mesmo 7 anos depois a gente não consegue dormir sem se abraçar. Te agradeço por conseguirmos valorizar um domingo em casa e esperar ansiosamente pra ver um filme comendo brigadeiro no sofá ou inventando qualquer comida mirabolante, porque qualquer tempo que nos sobra é precioso diante da nossa rotina invertida. Por continuarmos nos importando com nossas manias e coisas da gente, como me esperar todo ano pra montar a árvore de natal juntos ou passar um tempão escolhendo uma fantasia pro nosso carnaval e comer o sushi da quarta de cinzas, ou até mesmo fazendo estoque de licores caseiros, fazer feira de madrugada e tantas outras coisas. Te agradeço por me confiar teus segredos, indignações, e mesmo tu achando que eu não presto atenção nas tuas histórias de 47 minutos, sim eu presto (menos quando tô acordando) e pretendo continuar ouvindo-as por muito tempo! Você tem sido meu porto seguro e eu sei que posso contar contigo. Feliz sete, meu bem! Te vivo! 

Recife, 16 de dezembro de 2018.



Cordel pra Ju e Bruno.

"Depois dessas lindas palavras, só me resta acrescentar 
E agradecer a esses dois 
Por hoje eu aqui estar 
Foi graças a essa união 
Que começou nossa amizade
A qual guardo no coração!

Eu morava em Olinda e Bruno morava também
E por causa dessa distância
Rolavam as caronas do bem

Então eu quero agradecer
Por poder participar
Dessa linda cerimônia
Te admirando no altar
Um momento tão sonhado
Que hoje, enfim, foi alcançado

Desejo toda felicidade
E que exista muita vontade
De juntos continuar
Pois vocês foram feitos um para o outro
E todas suas diferenças só fazem complementar

Bruno, um gigante, atencioso,
calmo e cauteloso
E Juli, um pequeno furacão
Que entre prantos e sorrisos
Parece mais uma explosão
Mas se tem uma coisa em comum
É que os dois tem um enorme coração

Dá gosto de ver essa parceria
Regada de amor e esperança
Só não demorem muito
Pra fazer uma criança!

E por aqui eu me despeço
Desse cordel improvisado
E agora finalmente
Podemos dizer:
ENFIM, CASADOS!"


Com carinho, da madrinha Catarina.

Olinda é verbo.

Olindar é viajar no tempo. É poder contemplar uma história viva dentro de cada esquina e cada ladrilho daquelas ladeiras, de cada azulejo, cada faixada, arquitetônica, renascentista, barroca.. É esbarrar com arte, artesanato, poesia, música, dança. É ter paisagem de céu, mar e natureza. É tradição, cultura. Energização. Tem uma energia tão forte que até nos empurra a subir pelas ladeiras sem cansar. Que faz nosso corpo mexer a cada batida de um maracatu ou o coração acelerar quando o frevo começa a tocar... Ah, minha Olinda! Há quem não entenda nosso amor... Mas só a gente, que é filho teu, sabe! E mesmo morando distante, quando eu piso em teu solo me sinto mais em casa do que qualquer outro canto. 

Olinda, 27 de novembro de 2018.



Pequena Cacá.

Oi pequena Cacá, tudo bem?

Vim te falar algumas coisas da vida, porque acho que já percorremos um bom caminho. 
Não pense que foi fácil chegar até aqui. Você vai passar por um monte de coisas, de altos e baixos, mas o melhor de tudo é que você vai conseguir se reerguer e passar por cima, nada foi em vão. Tu verás que ao teu lado tem pessoas incríveis e uma rede de apoio fantástica (e se decepcionará com várias outras que você acreditava ter o coração bom). Se alguém te fizer mal, não guarde rancor. Precisamos saber perdoar e seguir em frente com o coração limpo de mágoas e aprisionamentos. Tente, várias e várias vezes. Cuidado com o ódio. O ódio é um sentimento que gera prazer em quem o sente. Plante o AMOR.

Você vai se divertir, experienciar coisas incríveis, e vai repetir a frase ‘já posso morrer feliz’ inúmeras vezes, porque tudo - até agora - foi tão intenso. Vivemos intensamente. CARPE DIEM!
Crescer não será tarefa fácil, nem evoluir. Mas o que tornará tudo mais difícil é o apego ao passado. Liberte-se.

Você poderá ter um pouco de dificuldade de sair da zona de conforto. Vai achar que só o conhecido te deixará no controle. Vai ter medo. Mas uma hora você vai perceber que precisamos deixar fluir, por mais difícil que seja. Procure compreender sempre que a impermanência é nossa única constante, e saiba livrar os apegos para que não te gerem sofrimentos. Você não irá escapar do sofrimento. Mas aos pouquinhos esse entendimento vai ficando mais lúcido e compreensível. E depois da tempestade, a maré sempre acalma. O sol nasce novamente, proporcionando um novo recomeço. Todos os dias.

Você se tornará uma mulher independente, como sempre sonhou. LUTE por isso e para isso. Vai correr atrás dos sonhos quando colocá-los na cabeça. Vai ter determinação, mas precisa conseguir manter o foco. Te dou um conselho: cuidado com teu ego. A sua luta maior será de você com você mesma. Mas você consegue (seguimos tentando até hoje).
E quando enfim enxergarmos nossas sombras, busque ajuda se precisar, busque informações. Seremos atraídas para atividades, lugares, pessoas e faremos coisas que nos deixarão verdadeiramente feliz. O universo responde. AGRADEÇA. Sempre!


Recife, 12 de outubro de 2018.



Carta ao meu pai.

Oi pai, por onde será que andas? Às vezes me pego pensando como seria a gente hoje, sabe. Como seriam nossas conversas, nossa relação? A minha sensação é que seria tão incrível, temos tanta coisa em comum! Vivemos pouco tempo juntos, mas sabe quando a conexão se estende e vai além? É verdade, acontece mesmo. E isso só me dá certeza de como andamos conectados mesmo nessa distância física. Imagino a gente falando sobre música e tua felicidade quando me visse tocando um instrumento. Será que iríamos tocar juntos? Imagino a gente ouvindo um som no domingo, com aqueles inúmeros vinis e você contando a história de cada um. Sabia que eu também amo carnaval e meu bloco favorito também é o Eu Acho É Pouco?! É cultural, vou sempre com meus amigos (que tenho certeza, você iria adorá-los). Vê que massa! É certo que todo ano iríamos varrer nas ladeiras de Olinda. Imagino a gente debatendo sobre política e como teu pensamento e ideais se parecem com os meus, mesmo sem querer. Aconteceu, desde a época da escola, eu já tinha meus questionamentos e sempre tendi a pensar de maneira mais democrática. E tu sabias que eu terminei indo pra área de saúde? A necessidade de cuidar do próximo brotou em mim também, da mesma maneira. (E olha que eu relutei, tinham mil opções diferentes). Imagino muito a gente falando sobre Medicina, tu ocidental e eu oriental. O quanto que nós iríamos agregar um ao outro como esses saberes diferentes? Nossa! Demais. Talvez tu até migrasse da alopatia pra homeopatia, vê que sonho! Não duvido, podíamos até trabalhar juntos! Imagino a gente comentando sobre vários livros, sobre poesia, história e literatura. (obrigada pelos livros que ficaram!) Imagino também a gente discutindo, você por ser superprotetor, e eu por ser um passarinho livre que ama voar por aí. Como seria isso?! Imagino mesmo a gente numa parceria linda. Mas não fico triste não, sabe? De jeito nenhum. Até porque não tem como negar que nós andamos juntos sempre, independente das barreiras. É só a saudade que ressoa. Mas só vim deixar mesmo a gratidão de ter tido sua sementinha plantada no meu ser! Amo você em todos os planos e onde quer que você esteja. Com carinho, Catarina. 


Recife, 12 de agosto de 2018.